Não me falaram sobre ser moderna…

Não me falaram sobre as conseqüências de ser moderna. Ou melhor, ou pior: não tive escolha. Já havia um padrão a ser seguido e o mínimo que eu poderia fazer era me enquadrar a ele.

Se ser feminina é ser delicada, ou sentir as coisas e agir com mais delicadeza, ou ainda o ato de acolher com amor, como cozinhar, e se cozinhar é uma terapia, uma arte e um ato feminino de sentir (não exclusivamente feminino é claro) então posso dizer que o mundo esta me apunhalando pelas costas, me cortando nas atitudes espontâneas, em especial, no ato de cozinhar.

Não tenho tempo de cozinhar, acabo comendo frio, faço congelado, assim mesmo, pago por isso, isso mesmo tá bom, aonde entra o meu momento de me encontrar comigo e de fazer os outros se encontrarem comigo? Quero mostrar à eles mas não tenho tempo de mostrar com tanta delicadeza, empenho e especialidade, só tenho o tempo de mostrar assim mesmo, pois não tenho tempo de mostrar diferente e do jeito que for tá bom porque, na melhor da hipóteses, eu fiz.

E aliás, hoje em dia ninguém faz nada, ou melhor, bem pouca gente faz alguma coisa, o mais comum e você comer o que alguém fez, você vestir ou usar, algo sempre que alguém fez e por sua vez ainda é comum uma máquina fazer o muito que essa pouca gente faz. Agora estou comendo o bolo de chocolate que alguém fez e que nem sei como e que nem foi pensando em mim, comi a pizza que todo mundo come que não é pensando pra ninguém em especial. Hoje em dia tudo é assim: pra todo mundo, sendo pra ninguém e de forma nada especial.

Não gosto de ser roubada no que é meu, meu tempo, o tempo é meu, IMAGINA O QUE SERIA DA MINHA VIDA SE MINHA MÃE NÃO TIVESSE TEMPO PARA COZINHAR PARA MIM? MINHA VIDA SERIA OUTRA, MINHA REALIDADE OUTRA, MINHAS LEMBRANÇAS, OUTRAS…

Meu tio, imagina se ele não tivesse tempo pra cozinhar naquela época, nem ia ser só a minha memória mas a memória de toda uma geração de primos que estaria prejudicada. Ok, é necessário se enquadrar nessa jogada com suas regras, o que realmente não entra na minha cabeça é todo mundo se ver prejudicado nas suas faculdades mais naturais e achar que isso é natural, que ser podado é natural, exigir o humano mais não dar espaço em nem se quer um segundo para este humano, não, isso não é normal.

Escrevo para desabafar para o mundo sobre a minha falta de tempo no mundo, mas acho que ninguém vai me ouvir no mundo, o mundo não está dando este tempo para ninguém. Eu quero cozinhar, marcar memórias, trabalhar o meu eu, mas tô sem tempo, o próprio tempo que era meu não é mais meu. Espero que isso seja superado, senão coitados dos que ficaram de ter a minha comida e o meu sabor na memória, serão os furtados da memória de hoje.

Mas semana que vem tem mais, há se tem, meus futuros lembradores de mim, esse esforço todos será para vocês, eu garanto.


Fim da primeira fase!

Cozinhar: fácil, difícil, engraçado e acima de tudo revelador!

Tendo a tarefa de pensar o que foi para mim esses quase dois meses de aprendiz de cozinheira posso dizer que acima de tudo descobri coisas sobre mim que jamais pensei descobrir, ainda mais cozinhando, talvez fazendo terapia ou coisas do gênero. Será então cozinhar terapêutico? Arte funciona para mim, entre outras coisas, como terapia, então daí partimos de um ponto incontestável: cozinhar é uma arte e terapêutico, também ou consequentemente.

Fazer emoção virar matéria, ver os meus sentimentos interferirem e transformarem o que é palpável, não ter mais receio do cheiro do alho, não chorar mais tanto com a cebola e ter um pouco mais de controle sobre as medidas foram coisas que a princípio achei que não mudariam tão logo.

Quando me surpreendo cozinhando já, cozinhando por prazer, com coragem, pelo simples gosto de praticar, de ousar, de botar para fora o que eu sinto, de transformar o mundo á partir do que tenho dentro de mim. Também refletiu meus medos e de certa forma, despreparo, que por sua vez não é mais despreparo, só falta de aprimoramento. Fazer algo na cozinha eu já sei, preciso agora achar a minha cara naquilo e partir para maiores desafios, como meu próprio momento na vida.

Uma das formas que se tem para parabenizar ou recompensar uma manifestação artística é com aplausos. Porque não bater palmas no final de um jantar preparado e servido com tanto carinho? Porque não tratar esta arte da mesma maneira que as outras? Eu modestamente me aplaudo. Superei-me em muitos aspectos, briguei, não liguei quando deveria ligar, amei e acima de tudo, não desisti.

E tem mais:

Acho que levo jeito para coisa. Se eu estiver de bom humor é claro. Gente! Por enquanto tenho essa peculiaridade. Vamos ver se nas próximas tentativas, além dos medos e da “semi”- inexperiência, eu controlo também minhas emoções.

Não existe nada que não se possa fazer, desde que você tenha coragem para tentar.

Não morri (por enquanto), não botei fogo na casa nenhuma vez (por enquanto) e ainda por cima gostei da coisa. Se eu consigo você também consegue. Acredite nisso.

Juro.


Salada Esperta

Olá a todos os meus queridos companheiros do Conversa na Cozinha!

Espero que no mínimo estejam se divertindo com a minha coluna, porque se deliciando, provavelmente vocês não estão.

A aventura de hoje, pois de fato foi uma aventura, é:

Salada esperta

Porque salada esperta? Muito simples, sua comida deu errado? Você pode apelar pra salada! Uma boa saladinha pode dar um super disfarce. Uma dica simples que um aprendiz sempre tem que saber no começo, um toque carinhoso de quem não sabe para quem também não sabe. Gostou? Então vem! Dessa vez não tem tantas medidas e nem que refogar nada, muito menos sangue de alguma coisa, só o liquido da beterraba.

Primeiro de tudo e super importante: óbvio que eu não sei ir á feira e escolher os alimentos da forma correta, se tá verde, se tá maduro demais, se tá de vez, aliás, o que é isso? Mas para fazer a salada você tem que ter verduras e legumes na sua casa, e se não tem você deverá ir escolher e comprar, então a aventura começa:

Primeiro passo: escolha dos alimentos para a salada

Alface: super manjado em qualquer salada. É legal optar pelas folhas que não estiverem manchadas e nem murchas (isso é bem difícil, quase uma utopia achar um pé de alface todinho assim, então o lance é chegar em casa e se desfazer das folhas que não sejam bacanas).

Tomate: o negócio nesse caso é: a aparência é fundamental, ou seja, o tomate tem que estar bonito, com a casca bem boa. Quando for sair de casa para comprar um tomate, saia com o rei na barriga, sem dó nem piedade. Mais uma dica:

Tomate mais molinho: especial para molhos.

Tomate mais duro: bom para saladas.

Cenoura: optar pelas mais finas (que costumam ser um pouco mais macias que as grossas), com as cores mais vivas e sem manchas.

Beterraba: gente, que bicha feia que é uma beterraba! Nesse caso se opta pelas mais duras e sem manchas.

Pepino: quase o mesmo caso do tomate, a beleza é fundamental, tem que estar durinho e sem manchas.

Cebola: apertar a danada pra ver se ela não está podre. Só isso.

Obs: tem um tipo de pepino chamado pepino japonês, eu não conhecia, ri bastante quando vi. Bobagem minha, aliás, quantos formatos fálicos no reino dos legumes! Não que eu tenha algum tipo de perversão, longe de mim! 😀 .

Fonte da pesquisa: os donos das barracas na feira.

Depois desse passo super divertido que é ir á feira e ficar no meio daquela gritaria toda, desviando de tudo e levando milhares de cantadas (entendendo isso também como experimentar um monte de coisas de graça), mãos a obra:

O preparo:

Lavar os alimentos de acordo com seu tempo e preferência (ha uma série de formas de se lavar uma verdura ou um legume, algumas até que utilizam cloro, para esta experiência utilizei água corrente em abundância).

Retirar a casca dos itens, o determinante na escolha de muitos deles agora será eliminado, não é necessário retirar a casca do tomate para a salada.

Importante: sim, se retira a casca da cenoura, isso para mim deixou de ser novidade á pouco tempo.

Picá-lós ou ralá-los em um recipiente (nesta experiência eu vou ralar a cenoura, o pepino, e a beterraba).

Dica de vida ou morte: cuidado com o ralador. Parece inocente, mas não é.

Chegamos ao ponto alto da salada:

O tempero

Aqui não tem como fugir tanto das medidas, não é tão difícil acertar, mas não deixa de ser importante.

Para temperar a salada eu utilizei: Vinagre(três colheres), Sal(duas pitadas) e azeite(três colheres), misturando estes aos itens anteriores. Como não tenho prática e ainda não confio no meu “olho”, experimentei a salada a cada passo para assim encerrar a etapa do tempero.

Está ai a saladinha para encher a barriga e o coração (mais a barriga). A minha mamãe querida já voltou de viagem e de cara já me deu uma dica: da próxima vez deixar mais raladinho a cenoura e a beterraba.

Vou utilizar uma parte do pepino que não foi pra salada para fazer uma máscara 😀 .

Até a próxima aventura, minha vida não sabe mais o que é monotonia depois que me arrisquei a participar deste blog.


Tendências de Cozinhas

Nada mais apropriado para falar de tendências de design em cozinhas do que o título do blog: Conversa na Cozinha. Cada vez mais a cozinha é o coração da casa, onde a família se encontra e os amigos conversam com os novos gourmets. Cozinhar é muito mais prazeroso quando outros se juntam para comer. E é ainda mais gostoso se eles se juntam para cozinhar. Por isso ela tem que ser cada vez mais prática, aconchegante e confortável para exercer tantas funções. A cozinha agora é um ambiente social da casa.

Cozinha Social

Consumo consciente

Outra grande tendência é o consumo consciente, mas de uma forma bem abrangente. Começando pelo consumo, as pessoas não compram móveis ou decidem a cor da parede pensando no longo prazo, como antigamente.
Gerações que surgiram num mundo descartável vão consumir cada vez mais. O dia que enjoarem da parede berinjela, pintam de outra cor sem drama. O móvel que saiu de moda pode ser vendido no Mercado Livre ou doado para pessoas que precisam num piscar de olhos. Ou seja, a decoração fica cada vez mais próxima da moda: dinâmica e autêntica.
Mas a conscientização ecológica que também chega cada vez mais forte nos direciona para as origens, para o reuso, para baixos consumos de energia e água, para a busca de móveis que podem ser readaptados no futuro. Por isso os móveis de nossos avós começam a voltar repaginados para casas modernas. O vintage e o retrô nunca estiveram tão fortes.

Além da consciência ambiental, a atenção à saúde e a crise econômica mundial, ainda presente, também influenciam o consumo e o design de cozinhas. Na linha da saúde, as hortas estão cada vez mais presentes para garantir alimentos mais saudáveis e frescos, os fogões trazem alternativas para cozinhar com vapor e grelhados. E na linha econômica, o luxo se torna mais humilde – clássico, minimalista e simples.

Cores

As cores da moda vêm justamente dos sentimentos relacionados ao consumo consciente e à esperança do fim da crise – muito branco e cores neutras, assim como toques super coloridos, brilhos intensos e metálicos.

Mas a tendência mais importante de todas é a da autenticidade, a fuga do lugar-comum. Por isso invente bastante, solte sua criatividade e tenha uma cozinha com a sua cara, e não do jeito que alguém disse que está na moda 😉

Se você quiser mais dicas de design de cozinhas, visite o Casa da Id&a e sinta-se em casa. Te vejo por lá!

Imagens: Freshome, Adore Magazine, Miele, Casa, Coisas & Tal

Manuela Mitre é Designer de Interiores e começou com o seu próprio apartamento, mudando até a cozinha de lugar. Ela conta que ficou fantástico! Criou o Casa da Id&a em 2009 para compartilhar um pouco do que acredita ser Design de Interiores de verdade – inspiração, design e arte. Sem “pode” ou “não pode”, o que importa é a mensagem e a sensação que o ambiente transmite. E isso inclui, claro, sua funcionalidade.

https://casadaidea.wordpress.com/ entre e sinta-se em casa!


Lição número?

Não, não é porque quero casar que pretendo aprender a cozinhar.

Essa é a pergunta que mais escuto depois que passei a compartilhar os meus desejos de me tornar uma exímia cozinheira, como minhas queridas amigas são… Modesta eu? Não exatamente, mas uma vez que se quer, tem que se ter objetivos.

Existe algo mais carinhoso do que cozinhar para as pessoas que você quer bem?

Eu sinceramente acho que não, ou ao menos nos deparamos com umas das maiores manifestações de carinho que existe.

Eu já fui amada muitas vezes pela comida. Aonde já se viu sentir e provar o amor?

Vá cozinhar!

A comida do meu tio de Panorama (uma cidade no inteirorzão de São Paulo) ficou na minha memória de criança, o cheiro dela me faz lembrar de todo um filme, comer a comida dele é reviver com fatores reais aquele momentos todos, que acabaram marcando a vida de todos os meus primos também.

E aquele tempero que só a comida da minha mãe tem e que quando ela vai viajar eu sinto a maior falta? Não encontro em raio de outra comida nenhuma, nem nos restaurantes mais chiques.

Só na comida dela, o que será que é?

Creio que carinho e muito amor.

Nunca tive interesse de cozinhar, mas de uns tempos pra cá eu estou numa fase de experimentar e transbordar formas diferentes de amor, então resolvi  topar e vivenciar este grande desafio para mim, que sou uma completa desastrada no assunto e em todos os outros, não entendo nada de medidas e não sei diferenciar uma cebolinha de uma salsinha.

Para mim, cozinhar é uma grande forma de independência, e acima de tudo:

De amar e de transmitir este amor

Então se é para transmitir amor e amar, estou nessa e é pra já!

Se vai dar certo meus caros amigos, eu realmente não sei, mas os convido para viver nessa coluna comigo essas saborosas (ou não) aventuras.

Fácil, sei que não vai ser, mas quem disse que transmitir amor é fácil? Eu ao menos no começo, preciso de uma receita!

Se não me tornar uma exímia cozinheira como é meu objetivo, ao menos acumularei experiências e darei muitas risadas.

E ainda: darei mais valor à tão saborosa comida das pessoas que me amam e que cozinham tão incrivelmente para mim, esse pequeno e tão desastroso ser.

Imagine só,  minha comida ficar na memória de meus sobrinhos e netos, o meu humilde tempero virar lembrança na cabeça deles junto com outros momentos.

Cozinhar como uma magia? Então eu quero aprender a enfeitiçar, agarrar alguém pelo coração, pela cabeça e pelo estômago,

Não que este seja meu objetivo principal, é lógico, mas quando se transborda amor, se atrai amor… E se é pra comer, eu to sempre lá!

Sei que existe um longo Caminho até lá, mas, carinho e amor para transmitir eu já tenho.

Estão prontos?

Eu acho que eu não, mas eu vou, como sempre, eu vou.