Identidade Gastronômica

Há uma razão de ser esse programa chamar-se Intercâmbio. Essas últimas semanas na escola foram exatamente isso, ou seja, eu tive a oportunidade de conhecer um pouco da cultura, hábitos e trejeitos de franceses, venezuelanos, coreanos, japoneses e até suíços, e eles um pouco de mim, encarregada de ser o exemplo de um brasileira – aqui a minha ressalva, eles dizem que de brasileira eu nada tenho, mas, eu sou, nascida e criada em São Paulo e apesar dos pesares, tenho muito orgulho disso.

Enfim, quando falamos em cultura e hábitos, uma das primeiras coisas que claro nos vem a mente é: Qual é o prato típico do seu país? Da nossa parte a resposta é sempre Feijoada, mas, seria isso mesmo, quantas vezes comemos feijoada durante o ano, quantos de nós sabe realmente prepará-la, eu não sei ! Então, a segunda resposta é: arroz, feijão, bife, batata frita e salada, e quando dizemos isso, eles não compreendem por que é um prato tipicamente brasileiro, já que aqui eles também comem feijão, não é como o nosso, é um de latinha, mas, igualmente pode ser servido com arroz que também está sempre na mesa dos japoneses – você vê a dificuldade de se denominar prato típico? Italianos comem massa, mas, você brasileiro natural de São Paulo, me diga o que não pode faltar na sua mesa aos domingos? Depois de muito debater chegamos a conclusão óbvia: Numa sociedade globalizada, acabamos por perder um pouco da nossa identidade para receber um pouco de todas e assim chegamos a outro ponto: Churrasco, sim esse é o prato típico brasileiro. A forma de preparo, como é servido, não encontramos nada parecido, inclusive o gosto da nossa carne é único, como já disse antes, aqui não comemos carne de tão diferente (e ruim) que a carne Irlandesa é.

Assim sendo, depois desse debate, nada melhor do que vivenciar as outras culturas, degustando o que de melhor há em cada culinária.

Identidade

Em uma tarde convidei os meus amigos suíços para cozinhar, um prato simples e típico da Suíça. E eles preparam o Älpermagarone que basicamente para nós é um macarrão com creme de leite, queijo, presunto. Realmente acho até que é bem inserido na nossa cultura, não é nada de outro mundo, simples e delicioso para que gosta de massa.

Hoje na escola foi a hora e a vez de experimentar um prato tipicamente Venezuelano, a tal Arepas. Uma espécie de pão recheado de queijo e presunto, mas pode se inventar outros recheios. É um prato bem comum por lá e pode ser servido a qualquer hora, foi o que eles disseram.

Identidade

Agora que já tenho o tempo contado para o fim da minha aventura pela Europa, sinto que esses tempos de troca foram o mais importante de tudo. Na vida por vezes separamos as pessoas por finalidade ou qualquer outra razão que possa parecer lógica, entretanto, aqui a gente aprende na prática a respeitar e aprender sobre as diferentes culturas, vivenciando essa pluralidade toda, pondo de lado os nossos pré-conceitos por que aqui você sabe que é uma oportunidade e não um dever.

E por essas duas semanas fantásticas que tive por aqui a música que fica é Music when the lights go out do The Libertines. Até logo menos !


Dublin – A cidade dos Pubs

Vir a Dublin e nao desgustar da mais famosa cerveja do mundo, Uma pint de Guiness, é considerado quase um pecado mortal por aqui. Eu que não tenho gosto e nem apego por cerveja, em todas as ocasiões que fui a um pub com amigos tive que me virar entre uma coca cola ou um suco. Até que encontrei a melhor bebida alcoólica para pessoas como eu. Já ouviu falar da Kopparberg? É uma cidra e portanto de baixo teor alcoólico. O que tem de especial são os sabores: Pera, Maçã Uva e ela é tão docinha, tão docinha que todo cuidado é pouco, na terceira garrafinha você estará tão ou mais alcolizado que alguém que tomou apenas uma pint.

Há uma outra cidra chamada Bulmers que é uma bebida legitimamente Irish, também faz muito sucesso por aqui entre a turma do contra á cerveja.

Agora além da famosa Pint entre os alcoólatras anônimos de Dublin não pode faltar o velho e bom whisky irlandes para aquecer nesse inverno de temperaturas negativas.

Enfim, Dublin sobrevive do mito dos pubs e isso é a mais pura verdade. Os Irlandeses levam a sério o happy hour, as sextas-feiras e todas as comemorações que terminam em noitadas em pub muito a sério. Entre os brasileiros os pubs favoritos são: Diceys, Temple Bar e Fitzsimons. A Diceys é conhecida por concentrar a maior taxa de estrangeiros por metro quadrado e isso por que a pint custa apenas 2 euros enquanto em outros lugares não sairia por menos de 5 euros. O Temple Bar é o pub mais importante de Dublin, muitos artistas e estrangeiros passaram e passam por lá diariamente, sendo um bar que recebe muitos turistas é claro, a bebida é cara. Já o Fitzsimons é interessante por trazer sempre bandas que tocam covers de musicas famosas, deixando o clima do pub sempre animado.

Ontem eu fui parar em um pub chamado O’ Reillys que apesar de salgado o preço das bebidas também serve porção de camarão e franguinho frito, que é uma delícia! Isso sem falar que é muito animado, ou pelo menos é em dia de jogo. Eles tem um telão bacana e aqui na Irlanda apesar do futebol não ser o que é para nós brasileiros, eles acabam torcendo para times ingleses, e ai é a mesma coisa que para nós: Cerveja, Futebol e Pub (buteco).

E como pub e musica são duas coisas que não se separam, a minha dica dessa semana é a banda irlandesa The Divine Comedy e a música para esse post é At the Indie Disco.


Uma Pitada de Rock’n Roll – Apresentação

Quando eu recebi o convite para escrever essa coluna, junto com a nova responsabilidade me foi pedida uma apresentação.

Então, aqui estou eu, Maria Luiza Medrado, Jornalista, 20 e poucos anos, popularmente conhecida por Malu. Uma capricorniana, natural da cidade de São Paulo, mas que atualmente mora no Mundo. Há 6 meses eu mudei para Dublin (Irlanda) em busca de autoconhecimento, shows de bandas que só eu e mais 3 gostam e claro ter a chance de voltar com muitas histórias pra contar.

Certo, e você leitor me pergunta, onde entra a Culinária, Malu? Decididamente as minhas habilidades na cozinha são limitadas. Eu sempre me restringi ao básico: Arrozinho branco (que não é incomum terminar queimado), salada de tomate, miojo e macarrão, minha maior conquista culinária dos últimos tempos foi acertar um ovo frito!

Um pequeno passo para um chefe de cozinha, um salto enorme na minha vida de intercambista precisando se virar ! Dada essa falta de variedade alimentar, eu recorro na maior parte das vezes ao fast food e comida pronta e graças a isso cheguei ao ponto que me abriu essa oportunidade de escrever periódicamente para esse site, dividindo com vocês um pouco dos hábitos alimentares dos Europeus.

Mas não é só isso, pouco a pouco vamos adicionando novos temperos a essa coluna e aqui eu preciso falar mais um pouco sobre a minha pessoa, eu tenho memória afetiva musical, ou seja, momentos, lugares, pessoas e por que não o simples ato de degustar algo saboroso acaba por me lembrar de uma canção ou me cria vontade de ouvir uma determinada música. Quem nunca botou o ipod pra funcionar enquanto esperou por aqueles 3 malditos infinitos minutos do Noodles? E para aqueles que já estão duvidando da minha capacidade de unir a fome com a vontade de rock’n roll, vamos nos ater a verdade dos fatos, afinal, você já viu Feijoada sem roda de Samba, Macarronada sem Tarantella? Viu só, é disso que se trata essa coluna, eu pretendo trazer as minhas impressões das tentativas alimentares aqui no velho continente, e tudo isso sempre acompanhada de um playlist bacana para guardar esses momentos.

Nem só do silvo da panela de pressão vive uma cozinha. Há outros sons… é só acompanhar !

Pra ler ouvindo: Girls Just Wanna Have Fun – Cyndi Lauper