Bife à Milanesa

 

Inédito na coluna Aprendiz de Cozinheira!!

Super desafio MASTER!!

Bater um bife na tábua e fazer à milanesa.

Será que irei conseguir passar por esta provação carnívora devoradora primitiva? Carne crua e gema de ovo tudo junto?

Ui! Vamos lá! Antes que eu me arrependa.

É uma velha receita da minha mamãe, segundo ela não há nada mais fácil no mundo, até meu sobrinho de três anos faz, claro né! Não é o couro deles que está sendo batido na tábua.

Aliás, receita é sempre importante pra tudo nessa vida de aprendiz, e não só para aprendiz, mas esta consciência vai virar um post especial futuramente. Agora vamos ao desafio MASTER radical.

Primeiro passo: a tábua e o martelo

Gente, se lava a carne né? Sim, claro, isso eu já sabia (…)

Ai meu Deus, como será que era a cara desse boizinho quando vivo???!!!

Temperar a carne (no caso optei por contra filé) com alho (três dentes de alho para quatro bifes), sal, vinagre e pimenta do reino.

Gente!!! Tá sendo muito difícil pra mim mexer com carne…

Passado o sufoco, hora de fazer a “cobertura”.

Em um prato, bater um ovo como se fosse fazer omelete. Colocar uma pitada de sal para a massa ficar mais crocante (é a receita que tá dizendo).

Depois se mergulha o bife na gema e na clara batida para assim o mergulhar na farinha de rosca, sem dó, para ele ficar todo coberto que nem agente quando brinca de se enterrar na areia da praia.

Levar o bicho manso pra fritar na frigideira, em fogo baixo e com bastante óleo. Se frita o bife só com o óleo já bem quente. Não sei por que, mas na receita tá assim, então só digo amém e repasso a dica.

Dá medo total fritar os bifes, mas é legal quando se passa pelo desafio. O lance é frita-los até estes ficarem com cor de “mel”.

Acabouu!! Tá incrível e até bonito. Vou devorá-los com uma cervejinha.

Afinal, essa vai bem com tudo.

Poxa, foi divertido, mais foi tenso, apesar de que nem me lembro mais de me lembrar da cara do boi.


Fim da primeira fase!

Cozinhar: fácil, difícil, engraçado e acima de tudo revelador!

Tendo a tarefa de pensar o que foi para mim esses quase dois meses de aprendiz de cozinheira posso dizer que acima de tudo descobri coisas sobre mim que jamais pensei descobrir, ainda mais cozinhando, talvez fazendo terapia ou coisas do gênero. Será então cozinhar terapêutico? Arte funciona para mim, entre outras coisas, como terapia, então daí partimos de um ponto incontestável: cozinhar é uma arte e terapêutico, também ou consequentemente.

Fazer emoção virar matéria, ver os meus sentimentos interferirem e transformarem o que é palpável, não ter mais receio do cheiro do alho, não chorar mais tanto com a cebola e ter um pouco mais de controle sobre as medidas foram coisas que a princípio achei que não mudariam tão logo.

Quando me surpreendo cozinhando já, cozinhando por prazer, com coragem, pelo simples gosto de praticar, de ousar, de botar para fora o que eu sinto, de transformar o mundo á partir do que tenho dentro de mim. Também refletiu meus medos e de certa forma, despreparo, que por sua vez não é mais despreparo, só falta de aprimoramento. Fazer algo na cozinha eu já sei, preciso agora achar a minha cara naquilo e partir para maiores desafios, como meu próprio momento na vida.

Uma das formas que se tem para parabenizar ou recompensar uma manifestação artística é com aplausos. Porque não bater palmas no final de um jantar preparado e servido com tanto carinho? Porque não tratar esta arte da mesma maneira que as outras? Eu modestamente me aplaudo. Superei-me em muitos aspectos, briguei, não liguei quando deveria ligar, amei e acima de tudo, não desisti.

E tem mais:

Acho que levo jeito para coisa. Se eu estiver de bom humor é claro. Gente! Por enquanto tenho essa peculiaridade. Vamos ver se nas próximas tentativas, além dos medos e da “semi”- inexperiência, eu controlo também minhas emoções.

Não existe nada que não se possa fazer, desde que você tenha coragem para tentar.

Não morri (por enquanto), não botei fogo na casa nenhuma vez (por enquanto) e ainda por cima gostei da coisa. Se eu consigo você também consegue. Acredite nisso.

Juro.


Filé de Frango Grelhado e a 2ª Vitória

Depois do arroz e do feijão, sempre vem à “mistura” não?

Filé de Frango Grelhado

Pegar uma parte do bicho e descongelar, se necessário (Nesta experiência eu optei pelo peito do frango).

Gente, esse é o meu maior desafio na cozinha, eu morro de nojo de carne crua, e o barulhinho que faz quando agente manuseia aquele negócio? É complicado. Imaginem meus amigos, há algumas semanas atrás eu confessei a vocês ter nojo do cheiro do alho e da cebola na mão, quem dirá de carne crua, e do cheiro da carne crua, e do sangue que espirra no rosto. Se eu passar por isso, agora sim, eu acredito que posso aprender a cozinhar. Outro detalhe, geralmente eu nunca penso que aquilo ali é um animal morto, mas quando vejo a carne crua, aí sim eu lembro, e muito, sinto dó do falecido, nojo, passo a me sentir horrível e penso que vou virar vegetariana na seqüência de comer aquele prato, mas ai, eu experimento aquele franguinho com salada… Bem, futuramente eu opto pelo vegetarianismo, afinal de contas, cadeia alimentar e proteínas são uma realidade posta minha gente! Tá aí para lidarmos com ela.

Pegar a parte escolhida do bicho e temperar com dois dentes de alho, uma colherzinha pequena de sal e algumas pequenas pitadas de pimenta do reino (lembrando que todas as minhas medidas são puramente experimentais).

Não sei se é necessário lavar a carne antes de temperar, na dúvida, eu dei uma lavadinha sim, com muito sabão (brincadeira, mas sei que vocês acreditariam nisso, vindo da minha parte). Na realidade, eu apenas molhei o bife e coloquei no prato de novo, isso de intuição, porque eu nem sei se isso se faz e quais são as conseqüências disso, se assim ele fica mais fofo, mais bonito, mais cheiroso, enfim…

Esfregar o bife no tempero, virando ele de um lado pro outro, é assim né?

Não façam como eu que acredita que pimenta do reino é atitude e vai bem com tudo sempre em grandes quantidades, às vezes acho que deveria me arriscar a fazer comida indiana. A minha mão sempre coça para colocar mais sal.

Eu sempre achei que o tempero da carne era só na hora que esta ia pra panela, mas não, é necessário temperar antes, aguardar alguns minutos para este pegar o tempero e, só a partir daí, mandar ver na frigideira.

Na frigideira, refoga-se o bicho, em fogo médio, com óleo, margarina ou azeite, (No caso, eu optei por margarina), até dourar, assim acredito eu (risos), girando esse de vez em quando para dourar de ambos os lados.

Este momento sempre me causa um pouco de insegurança, pois eu nunca sei quando a carne não está mais crua, e oferecer algo cru para alguém comer é horrível. Não é? Eu não sou a Bela do crepúsculo que namora um vampiro, e para mim, a única forma de ver se não está cru é:

Comendo ou cortando o negócio na frigideira mesmo, e claro, sentir o cheiro também ajuda, agora que já tenho esse sentido mais apurado na cozinha.

É incrível como o bife encolhe depois de grelhado.

Minha mãe fala sempre para não esperar muito para servir, se não este fica duro demais.

Um post simples, sem maiores crises, somente as existenciais, que já me são peculiares, independentemente do que eu esteja fazendo. O legal, ou péssimo, depende do ponto de vista, é que eu estou sem minha cozinheira do coração em casa (minha mamãe está viajando), então, quem está cozinhando para mim sou eu mesma, é dentro destas experiências que eu estou sobrevivendo. Por exemplo: vou jantar agora o meu próprio bifinho, que a forma de preparo foi toda baseada nas idéias que tenho na cabeça e nas conversas que obtive com seres amigos. Está com uma cara bem boa, e modéstia a parte, o gosto também, que inclusive acertei como uma luva (ao menos na minha concepção) na quantidade dos temperos. Ouvi de uma amiga, mais que querida e especial, que é necessário gostar da sua própria comida.

Posso dizer então:

Vitória na cozinha número dois.

Poxa, eu estou com vantagem nesse aspecto, de três tentativas obtive perda total em uma, vitória suprema em outra e vitória na terceira.

Aguardem-me queridos companheiros, e eu garanto:

Nenhum vampiro ia gostar do meu filé.

Bom Apetite, ao menos para mim. Vou jantar agora o meu próprio filé grelhado, que eu mesma vi nascer: senti o cheiro dele cru, eu mesma temperei, e agora vou devorá-lo, ele estando bem passado.

Até a próxima.


Primeira Vitória – Feijão Carioca

Tragédia clássica

Parte 2: O Retorno da Aprendiz de Cozinheira

Primeira Vitória: Feijão carioca

Estrelando: Juju Barbosa

Depois de uma conturbada semana de muita discussão, reflexão, desilusão e muitos, mas muitos conselhos vindos de corações tão queridos e solidários, visto a camisa para viver minha segunda experiência na cozinha e primeira na tentativa de fazer um feijão. Entrei no campo com a cabeça baixa, típica de um time que estreou com favoritismo, cheio de expectativas e que perdeu o jogo de lavada no seu próprio estádio, com a torcida toda assistindo (vide post: primeira tentativa – arroz branco).

Porém nesta nova partida algo havia acontecido, aparentemente e porque não, surpreendente, de alguma forma esse time (que na verdade sou eu) tinha evoluído, mesmo que pouco. De cara já destaco a calma, hoje eu estava absolutamente calma, sem pressa e até com o coração leve, percebi isso na hora que estava escolhendo o feijão, antes de lavar, sim, esse sim eu tenho certeza, é necessário escolher e lavar.

Tomei uma lição: cozinha e pressa não necessariamente combinam, pelo menos quando se está aprendendo, é fundamental se entregar, nem que seja por uma hora, uma vez na semana. E isso foi uma lição que também valeu para um outro aspecto da minha vida, mas que não vem ao caso, uma vez que não se refere a comida (risos).

Os Ingredientes

  • 4 xícaras de feijão carioca escolhido e lavado
  • quanto baste de água
  • 1 linguiça calabresa picada
  • 1 colher de sopa de alho picado
  • sal e cebola à gosto

O Preparo

Depositá-lo na panela de pressão (dessa vez eu já sabia de cara qual panela usar) com o triplo da medida de água ( tomando como referência a quantidade de feijão) para o cozimento. Algo como que três dedos de água a partir da superfície do feijão.

Tampar a panela e iniciar o cozimento.

Pausa para um desabafo.

Sempre tive pavor de panela de pressão, morri de medo o tempo todo mas pensei que tenho que aprender a mexer com ela, os medos não podem nos dominar . Na brincadeira, bolei um código com uma amiga: Caso em duas horas eu não entrasse em contato, ela chamaria o corpo de bombeiros. Felizmente não foi necessário.

Fogo alto á principio, essa minha dificuldade ainda é uma dificuldade, mas já menor, assim como o medo de me queimar, a frescura com o cheiro da cebola e do alho na mão e com a ardência  nos olhos, ainda provocada por estes e a insegurança na hora de arriscar a quantidade de sal e dos condimentos para o tempero. Iniciava-se naquele momento, a minha primeira verdadeira vitória na cozinha.

O tempo de cozimento do feijão para mim ainda é uma incógnita, mas como aprendi a abrir a panela de pressão embaixo da torneira, fui cozinhando de acordo com meu próprio “feeling”. Vocês repararam na palavra que usei? Feeling, este pela primeira vez despertado, junto com o olfato e com um paladar, agora, um pouco mais sensível.

Após 35 minutos, aproximadamente, comecei a me prepara para o tempero do feijão.

Numa panela à parte utilizei: lingüiça em pedaços, esta deve ser frita primeiro pois demora mais para fritar do que o alho e a cebola ( parece óbvio, mas foi para mim uma preciosa dica), posteriormente, acrescentei alho, sal e cebola picada. Quando os condimentos já estavam devidamente refogados, com um concha, selecionei uma parte do feijão que estava sendo cozido e despejei nessa panela. Após um tempo de mistura, coloquei o conteúdo da panela do tempero na panela de pressão, misturando novamente e deixando este cozinhar por mais um período.

Acredito ter descoberto um segredo, segredo pelo menos para mim, qual seria esse segredo: o caldo. Para deixar este mais grosso (que é da minha preferência) é necessário deixá-lo cozinhando, pode parecer bobo, mas esse raciocínio veio sozinho, ninguém nunca me contou isso e eu também nunca tive a curiosidade de saber.

Tudo estava indo bem quando minha mãe, de viagem, me ligou. Ao contar para ela a minha façanha, aquela ficou desesperada e me ligou um tempo depois novamente para saber se a filha dela, e principalmente a casa, existiam ainda.

No final da cocção houve um momento que achei necessário colocar um pouco mais de sal, por um instante acreditei ter estragado tudo, achei que tinha exagerado, mas foi apenas impressão. Quando meu irmão chegou em casa (ele que é super chato pra comida e havia já tirado o maior barato da minha primeira tentativa de arroz branco) experimentou e disse: Bom, muito bom inclusive, só falta cozinhar um pouco mais pois o grão ainda esta meio duro. Era verdade, minhas preocupações com o caldo e com o tempero eram tantas que me esqueci de verificar o detalhe da textura do grão, de como este se encontrava, nada grave, dentro de 20 minutos aquilo estava solucionado.


Meus queridíssimos amigos do Conversa na Cozinha, tenho o enorme prazer de relatar a vocês a minha primeira e bem sucedida tentativa de cozinhar, no caso, feijão. Meu primeiro feijão, este que eu cansava de plantar na escola, este que para mim representa o ápice da transmissão do amor na culinária,  hoje, meu jantar, feito por mim.

Algumas boas experiências já adquiridas: calma, um pouco mais de confiança, uma vontade maior de cozinhar para alguém (pois eu vou comê-lo sozinha e não estou achando muita graça nisso) e a descoberta de um grande aliado na cozinha, uma espécie de despertador, logo, dedico meu primeiro êxito ao meu melhor amigo:

O despertador

Timer

 

Que inclusive foi presente da dona da cozinha. É, ela sabe das coisas… Sempre.


Lição número?

Não, não é porque quero casar que pretendo aprender a cozinhar.

Essa é a pergunta que mais escuto depois que passei a compartilhar os meus desejos de me tornar uma exímia cozinheira, como minhas queridas amigas são… Modesta eu? Não exatamente, mas uma vez que se quer, tem que se ter objetivos.

Existe algo mais carinhoso do que cozinhar para as pessoas que você quer bem?

Eu sinceramente acho que não, ou ao menos nos deparamos com umas das maiores manifestações de carinho que existe.

Eu já fui amada muitas vezes pela comida. Aonde já se viu sentir e provar o amor?

Vá cozinhar!

A comida do meu tio de Panorama (uma cidade no inteirorzão de São Paulo) ficou na minha memória de criança, o cheiro dela me faz lembrar de todo um filme, comer a comida dele é reviver com fatores reais aquele momentos todos, que acabaram marcando a vida de todos os meus primos também.

E aquele tempero que só a comida da minha mãe tem e que quando ela vai viajar eu sinto a maior falta? Não encontro em raio de outra comida nenhuma, nem nos restaurantes mais chiques.

Só na comida dela, o que será que é?

Creio que carinho e muito amor.

Nunca tive interesse de cozinhar, mas de uns tempos pra cá eu estou numa fase de experimentar e transbordar formas diferentes de amor, então resolvi  topar e vivenciar este grande desafio para mim, que sou uma completa desastrada no assunto e em todos os outros, não entendo nada de medidas e não sei diferenciar uma cebolinha de uma salsinha.

Para mim, cozinhar é uma grande forma de independência, e acima de tudo:

De amar e de transmitir este amor

Então se é para transmitir amor e amar, estou nessa e é pra já!

Se vai dar certo meus caros amigos, eu realmente não sei, mas os convido para viver nessa coluna comigo essas saborosas (ou não) aventuras.

Fácil, sei que não vai ser, mas quem disse que transmitir amor é fácil? Eu ao menos no começo, preciso de uma receita!

Se não me tornar uma exímia cozinheira como é meu objetivo, ao menos acumularei experiências e darei muitas risadas.

E ainda: darei mais valor à tão saborosa comida das pessoas que me amam e que cozinham tão incrivelmente para mim, esse pequeno e tão desastroso ser.

Imagine só,  minha comida ficar na memória de meus sobrinhos e netos, o meu humilde tempero virar lembrança na cabeça deles junto com outros momentos.

Cozinhar como uma magia? Então eu quero aprender a enfeitiçar, agarrar alguém pelo coração, pela cabeça e pelo estômago,

Não que este seja meu objetivo principal, é lógico, mas quando se transborda amor, se atrai amor… E se é pra comer, eu to sempre lá!

Sei que existe um longo Caminho até lá, mas, carinho e amor para transmitir eu já tenho.

Estão prontos?

Eu acho que eu não, mas eu vou, como sempre, eu vou.