Eco e Narciso


Conheçam a história da flor de Narciso, tão bela quanto ele. Eu particularmente amo essa história e gostaria de compartilhar.

ECO E NARCISO – Waterhouse – 1903

Eco era uma das mais belas e simpáticas ninfas que já existiu. Eco era uma das Oréades, as ninfas das montanhas, e adorava sua própria voz… mas para alguns ela tinha um defeito (muito comum em algumas pessoas) – era mega tagarela! Zeus tinha sempre muita simpatia por Eco e esta o visitava sempre no Olimpo, entre outras coisas para distrair Hera (mulher de Zeus) com sua conversas. Um dia Zeus se encantou por uma ninfa e Hera que já havia percebido algo no ar, decidiu vigiar o marido… (aquela história de rédeas curtas não é de hoje…).
Zeus ficou pensando um meio de escapar do cerco de Hera e lembrou-se da jovem Eco com suas histórias e a chamou para passar um dia no Olimpo… enquanto a inocente Eco distraia Hera com sua conversa, Zeus deu sua escapulida. Hera, porém, acabou descobrindo o ardil e puniu a pobre ninfa tirando-lhe o dom da fala e condenando-a a repetir apenas as palavras que ouvia dos outros:

“De hoje em diante” – disse Hera – “a língua com que tu me iludiste ficará atada a dos outros. Não terás o poder de falar em saudação. Tua fala será escrava da fala de outros e desde este dia até que o tempo tiver cessado falarás somente para repetir a última palavra que teus ouvidos escutarem.”

E assim Eco volto às florestas guardando em si um silêncio gigantesco, mas mantendo a alegria e entusisamo que lhe era características marcantes. Certo dia, Eco deparou-se com o mais belo de todos os jovens que existia no planeta. Este chamava-se Narciso, que era filho da ninfa Liríope e do rio Céfiso e desde a mais tenra idade apresentava uma beleza singular, única, fascinante. Sua mãe, preocupada com o destino que lhe cabia por atrair a atenção de todos que o viam, resolveu se consultar com o cego profeta Tirésias e perguntar sobre até que idade ele viveria e eis que Tirésias responde: “ele viverá até a velhice desde que não conheça a si mesmo.”

Liríope tratou de dar sumiço a todos os espelhos possíveis e criar Narciso sem que ele pudesse ver a sua própria imagem. Assim Narciso cresceu sendo exaltado, bajulado e celebrado por sua beleza que era descrita por todos a sua volta que o viam e dessa forma atraindo muitos admiradores e apaixonados, porém o jovem não conseguia se apaixonar por ninguém.
Um dia Narciso saiu com alguns amigos para um passeio no bosque, foi quando Eco o viu pela primeira vez e se apaixonou por ele e passou a acompanhá-lo secretamente escondendo-se entre árvores, rochas e rios, mas seguindo, sempre, de perto os seus passos. Em determinado momento, Narciso se afastou do grupo e Eco decidiu que aquela seria uma ótima oportunidade para se aproximar e com cautela ela foi seguindo, mas o jovem percebeu seus passos entre os galhos e folhas secas e perguntou:
– Tem alguém aí?- Aí…aí…aí… – ela respondeu.
– Apareça. Venha até aqui! – solicitou Narciso.
– Aqui…aqui…aqui…- falou Eco.
– Estás zombando? – questionou Narciso, indignado.
– Zombando. – falou Eco sem poder responder claramente a Narciso.
– Suma, desapareça! Não quero mais ver-te ou ouvir-te!
Eco entristecida pela primeira vez e cheia de dor e se sentindo abandonada foge, à princípio para a floresta, mas de tão envergonhada pela rejeição de seu amor ao belo e arrogante Narciso vai ficando cada vez mais triste e vai definhando, definhando, definhando até desaparecer e esconder-se por completo nos rochedos, sobrando dela somente a voz castigada a repetir a última palavra dos outros. As demais ninfas revoltadas e compadecidas com a tristeza e infortúnio de Eco apelaram a Némesis, deusa da punição (alguns escritores comentam que foi Afrodite, deusa do amor, a quem elas recorreram) para que vingassem o sofrimento de Eco.
O feito de vingança aconteceu no monte Hélicon, em uma outra caçada. Narciso sentiu-se fortemente atraído para uma determinada clareira que tinha um plácido rio e ao aproximar-se viu-se refletido nas águas e imediatamente apaixonou-se pela imagem revelada de seu próprio rosto. Encantado com a beleza que via (sem saber que era sua) pensou ser a feição de alguma ninfa ou dinvidade. Narciso sorriu e a imagem refletida sorriu no mesmo instante.
Deslumbrado com o próprio sorriso, acreditando estar sendo retribuído, Narciso resolveu inclinar-se para beijar a boca que via e seus lábios tremularam as águas fazendo com que seu reflexo se distorcesse e sumisse por alguns instantes. Angustiado, Narciso pede que ela não se vá e esperando alguns minutos, vê-se novamente refletido quando as águas acalmam e tenta torcar-lhe o rosto mais uma vez, não conseguindo.
Narciso, desesperado grita chamando pela imagem e decide entrar no rio em busca de seu amor acabando por permanecer eternamente nas águas. As ninfas mesmo vingadas, choravam pela morte do belo Narciso, a quem, todas elas, também se apaixonaram e os lamentos e choros que ouvia Eco repetia colocando para fora a sua própria dor. Até mesmo os deuses se compadeceram da tragédia e no exato local, na margem em que ele viu pela primeira vez a sua própria imagem, os deuses fizeram nascer uma linda flor branca que leva até hoje o seu nome.
PINTURA: ECO E NARCISO

John William Waterhouse (1849-1917) : Echo and NarcissusPainting date: 1903
Medium: Oil on canvas
Size: 109 x 189 cm
Location: Walker Art Gallery, Liverpool, England

Entre na Conversa!